sábado, 31 de janeiro de 2009

Livro do dia

FRANCO, Carlos, O Mobiliário das Elites de Lisboa na segunda metade do século XVIII, Livros Horizonte, Lisboa, 2007

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Livro do dia

Poder político e educação de elite
Maria Elizabete Sampaio Prado Xavier
Edição de Cortez Editora, 1980
Original da Universidade do Texas

144 páginas

Pesquisa de elite

Uma hipótese de trabalho: Artemis, a protectora das virgens Efeso
Ártemis foi a mais popular das deusas greco-romanas e asiáticas, motivo de culto desde Acádia, Ática e Delos até Roma, mas teve destaque na região da Ásia Menor. Na tradição mais antiga, Ártemis representa a evolução de uma Deusa Mãe e, em Éfeso, local do seu templo mais importante , assimilou uma antiga divindade da fecundidade asiática, a Magna Mater, e correspondia à Perséfone, à Diana, à Cibele da Ásia Menor.
Ártemis era a representação da deusa independente e livre. A vinculação e a experiência religiosa das mulheres cristãs da Ásia Menor com essa deusa também serviram de referências aos seus papéis independentes e de liderança religiosa nas comunidades cristãs.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Bibliografia de Elite

Bachrach, Peter, The Theory of Democratic Elitism. A Critique, Boston, Little, Brown & Co., 1967 [trad. cast. Crítica de la Teoria Elitista de la Democracia, Buenos Aires, Ediciones Amorrortu, 1973].
Benn, S. I., Peters, R. S., Social Principles and the Democratic Elites, Londres, Allen & Unwin, 1959.

Curioso e raro

Livro editado em 1961,SEM INDICAÇÃO DE EDITORA, composto e impresso na Tipografia Silvas, LDA, em Lisboa, com dedicatória ao Professor Doutor António Maria Godinho:

TÉCNICAS DE PROPAGANDA-ÉLITES, QUADROS E OUTROS ESTUDOS, de José Júlio Gonçalves.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

No 1º dia de Barack Obama

No dia da tomada de posse de Barack Obama, este 20 de Janeiro de 2009, a sugestão é reler Suicide of an Elite? de Edward N. Saveth. August 1991. Eis um excerto de um paper, de Saveth, intitulado Elite Theory of Society

Edward N. Saveth is Distinguished Professor Emeritus at SUNY, The State University of New York.

Democracy has been an important value for the American people since the founding of the nation in the late eighteenth century. However, analysis shows that the United States is not truly democratic. Rather, it is an elitist society run by the rich. In this respect, the United States should be called a plutocracy, or government by the wealthy.
The idea that the rich run America has been encompassed in the elite theory of society. Prior to the 1960's, many people accepted the elite theory as a model for American politics. However, after the Vietnam War, some writers began claiming that the elite system had died out in the United States. According to this argument, the Vietnam War was a last-ditch effort by the elite to gain control over the world. When this effort proved to be fruitless, the elite as a whole supposedly "committed suicide" by dissolving itself (Saveth, 1991, p. 44). However, Saveth argues that the elite system is still alive and well in American politics. In fact, there is evidence that elite control in the nation has become even stronger in recent years. This is particularly true in the wake of the Persian Gulf War. It is widely agreed that the U.S. victory in that battle over oil interests helped the nation to overcome its former "Vietnam Syndrome." As such, it eliminated "what had been the prime cause for the alleged elite 'suicide'" (Saveth, 1991, p. 47).
According to the elite theory, it is actually impossible for a true democracy to exist.
. . .eer number of appointments, corporate involvement in the shaping of government policy is extensive" (p. 143). Corporate power is strong in America because money is needed in order for most political policies to be carried out. In this regard, Domhoff claims that the corporate rich have "indirect influence over elected and appointed officials, for the growth and stability of a city, state, or the country as a whole can be jeopardized by a lack of business confidence in government" (p. 77). Domhoff further states that the failure of government officials to meet the demands of big business will generally cause "economic difficulties that will lead people to desire new political leadership" (p. 78). Proponents of pluralism often claim that the two-party system prevents any one group from holding power in America. According to this perspective, American politics is an ongoing competition between conservatism and liberalism. In the words of McKenna and Feingold (1989), conservatism is pluralistic in that it "rejects simple majority rule" and liberalism is pluralistic in that it "rejects rule by a single elite" (p. xix). However, the existence of these two competing ideologies does not guarantee against the existence of elitism i . . .

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Para uma bibliografia de Elite 2

ALBERTONE, Ettore A., Mosca and the Theory of Elitism, Oxford, Basil Blackwell Publishers, 1987.
ARMSTRONG, John A., The European Administration Elite, Princeton, Princeton University Press, 1973.
AUSTIN, L., Saints and Samurai. The Political Culture of American and Japonese Elites, New Haven, Yale University Press, 1975.

Um texto da Folha de São Paulo

NOTA: Mais uma vez agradeço os textos que me enviaram do Brasil.
A corrupção das palavras
fonte:
O Estado de São Paulo, 20 de agosto de 2006
Governos corrompem a linguagem também. Movidos pela propaganda, distorcem sentidos de palavras ao sabor de suas conveniências. George Orwell, o autor de 1984, sabia disso como poucos. No governo Lula, de tantas “despesas não contabilizadas”, uma das palavras que foram mais achatadas, descarnadas, é elite. Elite, antes de mais nada, significa o que de melhor uma sociedade produz; é um termo de teor qualitativo. Mas agora virou insulto. Isso se vê, por exemplo, na campanha eleitoral de TV que começou na semana passada: ter uma origem humilde é a primeira e maior garantia de que um governo é ou será bom. Um sujeito “bem-nascido” é absolutamente incapaz de exercer política a não ser em seu próprio favor. Como se o PT tivesse feito outra coisa no poder!
É claro que elite, em uma de suas acepções, é a minoria no topo da pirâmide social ou, de acordo com o glossário marxista, a “classe dominante”. Mas isso hoje no Brasil implica que se trata de um grupo monolítico em sua desonestidade e crueldade secular. Pertencer quantitativamente à elite – ou à elite branca, no pleonasmo do governador Claudio Lembo – é ser um rico que só é rico porque o dinheiro dos pobres é tirado deles. Daí decorrem duas características muito curiosas: nessa vala comum estão todos os cidadãos da classe média para cima, não apenas da alta; e normalmente quem a menciona se auto-exclui, mesmo que há mais de 30 anos tenha o perfil estatístico exato (patrimônios, valores, preconceitos, hábitos) dos que a compõem.
Outra ironia: todo o discurso anti-elite de Lula, Dirceu e companheirada é influenciado por leituras reducionistas de professores universitários que citam Raymundo Faoro e Celso Furtado a torto e não a direito. Foram os intelectuais do nobre Morumbi – inconscientes da fonte rousseauniana de seus conceitos supostamente originais sobre a pureza de Pindorama em face da “triste civilização” européia – que ensinaram a Lula que o Brasil é governado há 500 anos pelas mesmas pessoas. Fazer tábula rasa da história e da sociedade brasileira é o esporte da “intelligentsia” local, que endeusou Lula como porta-voz das massas e que agora – apesar de ele ter feito o contrário de tudo que foi sonhado, de ser tucanamente a alegria dos banqueiros e oligarcas – se agarram ao fato de que seu eleitorado é em grande parte formado pelos pobres de regiões como a nordeste. E perdoam nele o que não perdoariam em ninguém.
Isso nos leva ao ponto mais interessante de todos: nossa elite – o segmento dos tomadores de decisão nos mais diversos setores da sociedade e do Estado – é mais populista que elitista. Elitismo é a suposição idiota de que só a algumas pessoas é dada a possibilidade de adquirir conhecimento e criar idéias. Sua nêmesis, o populismo, diz representar a massa e saber a solução para seus problemas. Esse populismo vemos o tempo todo nas emissoras de TV, nas gravadoras de discos, nas direções dos partidos, no marketing das empresas. Eles sempre têm certeza do que o público “quer”, e que isso deve ser o mais banal e vulgar possível. Nivelar por baixo, jamais por cima. Tábula rasa. Ou seja: eles têm o mesmo desprezo pela inteligência das pessoas que os elitistas. Na verdade, muitas vezes são as mesmas pessoas. E elas dão as ordens neste grande programa de auditório ou “reality show” que é a ideologia brasileira atual. Sob o doce véu do paternalismo, distribuem a esmola de hoje e não a oportunidade de amanhã. E vencem.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Platão - e a elite - na sua “Republica”

"O que é uma comunidade justa?", perguntava Platão pela boca de Sócrates, seu mestre. Resposta: “uma comunidade justa é aquela onde os melhores governam com sabedoria.”

Ler e ponderar

Excelência, defina "elite"

Marcelo Dantas, Folha de São Paulo (03/09/07)
O uso sofístico do conceito de "elite" teve sua origem em nossa intelectualidade. Foi ela quem ensinou aos atuais homens de poder a conveniente manipulação da antinomia elite-povo e quem primeiro se auto-excluiu da tão odiosa "elite brasileira".

>>>QUANDO ALGUÉM me pergunta qual o principal problema do Brasil atual, não hesito em responder: a falta de precisão vocabular. Vivemos sob o império dos sofismas, em que toda ilegalidade tem direito a um eufemismo, todo impostor, livre acesso à honradez, e toda bravata, o status de argumento. Num ambiente semelhante, o debate público, sério e fundamentado, se torna inviável. Exemplos existem aos montes, mas talvez nenhum deles seja tão grave quanto a utilização que se vem fazendo do termo "elite". Toda vez que um de nossos dirigentes precisa livrar-se de acusações, desqualificar opositores ou simplesmente neutralizar qualquer crítica, a palavra "elite" surge como o pecado feito verbo. Ela encarna tudo o que há de ruim e malvado, o dolo em essência, o egoísmo mais nocivo, a traição sempre à espreita. Curiosamente, essa "elite" não tem rosto. Ela é sempre o outro -o inimigo, o desafeto, o adversário, o opositor. Em suma: o dissenso. Diz-se pertencer à "elite" o indivíduo ou instituição que ouse questionar os atos do poder. Em qualquer língua do planeta, esse substantivo afrancesado -"elite"- inclui o estamento dirigente da nação. Salvo no idioma falado pelos próceres de nossa República. Aqui, ministros de Estado, secretários de governo, parlamentares, magistrados, diretores de bancos e empresas estatais, nenhum se julga parte da "elite". Tampouco são vistos como integrantes da "elite" usineiros heróicos, empreiteiros amigos, marqueteiros audazes ou banqueiros satisfeitos. Já o cidadão de classe média que manifesta publicamente o seu desagrado com o Estado de anomia do país é, de imediato, acusado de tramar o eterno retorno das desigualdades sociais e da concentração de renda. A ofensa é absurda, mas poucos se dão conta disso. Ora, quem paga os elevadíssimos impostos que, já de algum tempo, são cobrados no Brasil não pode ser acusado de responsável pelo atraso da nação. Os verdadeiros culpados são aqueles que tomam esses impostos sem investir corretamente na educação do povo e no desenvolvimento de nossas forças produtivas. As "bandas podres" existem, disso não resta a menor dúvida. Mas hoje, tal como ontem, elas vivem em conúbio com o Estado. O atual governo não moveu uma palha para mudar tal quadro. Pelo contrário, especializou-se em lotear cargos e apadrinhar o fisiologismo. Além disso, encampou a ortodoxia monetária tucana, continuando a desperdiçar o arrocho fiscal no enriquecimento dos grandes investidores nacionais e estrangeiros. Como pode então que os dirigentes continuem a ver nas vaias de alguns ou nas críticas da imprensa a mão conspiratória da "elite"? Dá vontade de dizer: "Excelência, defina elite!". O uso sofístico do conceito de "elite" teve sua origem em nossa intelectualidade. Foi ela quem ensinou aos atuais homens de poder a conveniente manipulação da antinomia elite-povo e quem primeiro se auto-excluiu da tão odiosa "elite brasileira". Ao passar décadas tratando a "elite" como um bloco monolítico e, sobretudo, ao fazer de conta que um país justo se possa estruturar sem elites técnicas, científicas, intelectuais, políticas, burocráticas, artísticas e econômicas, nossa intelectualidade transformou o conceito em um mero clichê ao dispor das lideranças populistas de viés autoritário. Basta-lhes agora dizer "eu sou o povo" e todo questionamento passa a estar identificado com a insatisfação da "elite reacionária". Basta-lhes repetir "o povo chegou ao poder" e o papel histórico da democracia se cumpre, tornando-se ela um instrumento obsoleto. Para que alternância de partidos se quem está de fora é a "elite"? O atual debate sobre a crise aérea espelha à perfeição os efeitos nefastos desse pântano conceitual. Todas as críticas são ditas "provenientes da elite". O próprio tema dos aeroportos em pane e do caos regulatório do setor é tratado como um assunto menor, de exclusivo interesse da "elite". Dois aviões já caíram. Quantos mortos a mais serão necessários para que os governistas de plantão acordem de seu transe? Nenhum povo jamais foi redimido pelo sucateamento dos setores de ponta da economia. Em um debate público sério, estaríamos agora discutindo a crônica incapacidade de nossos governos em assegurar a modernização da infra-estrutura do país. Ao insistirmos na utilização oportunista de conceitos, continuaremos enfrentando crise após crise. O Brasil ficará para trás. A pobreza se eternizará. E a democracia descerá pelo ralo.
MARCELO OTÁVIO DANTAS , 43, formado em ciências econômicas pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), é escritor, roteirista e diplomata de carreira, autor do livro "Três Vezes Mago" (no prelo). É chefe da Divisão de Assuntos Multilaterais Culturais do Ministério das Relações Exteriores.

Elite na Escandinávia


Agradeço a quem me enviou o texto que aqui fica por interesse óbvio


The concept of "elite" in Scandinavian culture and society: description




Document Actions Prof. Annegret Heitmann, Department of Nordic Studies, LMU - Prof. Wilhelm Heizmann, Department of Scandinavian Studies, LMU




In the context of globalisation, which all over the world constantly produces new structures in areas such as the economy, society and culture, the issue of elite-formation has again become topical – not least in the modern German Academy. This wider phenomenon has in turn had important repercussions within Scandinavian culture, which traditionally has thought of itself as egalitarian. Although social inequality is a constant feature of complex societies throughout history, the word ‘elite’ first appeared in seventeenth century Europe, when it was used in connection with goods that were valuable and expensive. From the eighteenth century, however, the term was applied to individuals who had obtained prominence through their own personal achievements – by contrast with the ascribed status of the higher clergy and the aristocracy. In the age of industrialisation, the meaning of the term increasingly changed to denote a relatively fixed boundary between the upper classes (differently conceived in different countries) and all others. In Scandinavia, from the beginning of the twentieth century, the increasingly influential social-democratic movements opposed the development of any marked differentiation elites and masses. It was thus that the very notion of ‘elite’ came to be negatively marked. Hierarchical structures tended to be thought of as the inverse of the Scandinavian social ideal. But modern sociological theory, since Veblen, assumes that every society will develop elites, whether overt or latent, in the process of establishing group-identities and narratives of social distinction. The aim of the seminar is to problematise this issue as it affects Scandinavia from a literary and cultural-historical perspective. We will examine a wide variety of texts ranging from the middle ages to the present day from the specific point of view of the types of elite-formation, social domination and socio-political criticism represented and the understanding of elite and anti-elite. Several topics are in the course of preparation: in the field of Old Norse, the elite figure of the rune-master (=‘erilaz’), the elite class of the courtiers in the Old Norwegian ‘Courtiers mirror’ and the figure of the priest-chieftains (=‘gođi’) in the egalitarian society of Iceland; and in the field of modern Scandinavian, studies of the 19th-century elite based on education (Geijer, Heiberg, Wergeland), the cult of the genius ('Geistesaristokratie': Strindberg, Hamsun, Ibsen) and the cult of heroes (Amundsen, Nansen) around 1900, and on the fundamental criticism of the egalitarian cultural politics of the twentieth century, f.ex. by Lars Gustafsson.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Para uma bibliografia de Elite

Elites locais (Portugal)

POIRIER, J., CLAPIER-VALLADON, S., e RAYBAUT, P. (1995), Histórias de Vida. Teoria e Prática,
Oeiras, Celta.
REIS, J. (1996), O Banco de Portugal das Origens a 1914, Lisboa, Banco de Portugal.
ROCHA, M. M. (1993), Propriedade e Níveis de Riqueza. Formas de Estruturação Social em
Monsaraz na 1.ª Metade do Século XIX, Lisboa, Edições Cosmos.
RUIVO, F. (1990), «Local e política em Portugal: o poder local na mediação entre o centro
e a periferia», in Revista Crítica de Ciências Sociais, n.º 30, pp. 75-95.
SANTOS, R. (1993), «Senhores da terra, senhores da vila: elites e poderes locais em Mértola
no século XVIII», in Análise Social, vol. XXVIII (121), pp. 345-369.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A necessidade de estudar elites

Recordar:
25 de Abril: Estudo encomendado por Cavaco Silva sobre juventude já foi entregue no parlamento
Lisboa, 25 Abr (Lusa)
O estudo sobre o comportamento dos jovens que o Presidente da República, Cavaco Silva, citou no parlamento na sessão solene comemorativa do 25 de Abril já foi entregue aos partidos políticos, informou fonte da Presidência.
A análise sobre atitudes e comportamentos políticos dos jovens em Portugal, mandada realizar por iniciativa de Cavaco Silva, através da Universidade Católica, já foi colocada no "site" da Presidência, sendo considerada "fiável" pelo Chefe de Estado.
De acordo com o documento, metade dos jovens entre os 15 e os 17 anos desconhece quantos países integram a União Europeia, o nome do primeiro Presidente português eleito depois do 25 de Abril e se o PS tem maioria absoluta no parlamento, alertou hoje Cavaco Silva, citando o documento que mostra o "total alheamento" da juventude.
O Presidente da República, que falava na sessão comemorativa do 25 de Abril, na Assembleia da República, apresentou parcialmente esse estudo que mandou realizar e que demonstra o "total alheamento" dos jovens face à política e a insatisfação geral dos portugueses relativamente ao funcionamento da democracia no país.
Cavaco Silva considerou a situação "demasiado séria" e disse que, como "deve prestar contas" do que faz, partilhou os resultados desse estudo sobre atitudes e comportamentos políticos dos jovens em Portugal.
O estudo, apresentado ao Presidente em Janeiro, conclui, em primeiro lugar, que "é notória a insatisfação dos Portugueses com o funcionamento da democracia" que se mostram favoráveis a reformas profundas na sociedade portuguesa.
Revela que os mais jovens, entre os 15 e os 17 anos, e os jovens adultos, entre os 18 e os 29 anos, ou seja, os que nasceram após o 25 de Abril, são a camada etária que se mostra mais favorável à introdução de reformas incrementais e limitadas no sistema.
Adianta que os jovens estão menos expostos à informação política pelos meios convencionais de comunicação do que os restantes segmentos da população e mostram também mais baixos níveis de conhecimentos políticos.
De acordo com o estudo, exceptuando o exercício do direito de voto, a população portuguesa tende a ser céptica em relação à eficácia da participação política tradicional, isto é, aquela que é feita através dos partidos.
No que respeita a um conjunto genérico de medidas destinadas a melhorar a qualidade do sistema democrático, os portugueses são favoráveis à presença das mulheres na vida política, à criação de novos mecanismos de participação e à maior personalização do sistema eleitoral, refere o estudo.
Depois de enunciar a fiabilidade do estudo, Cavaco Silva disse que queria conhecer essa realidade que trouxe agora aos deputados "na convicção de que os agentes políticos não podem alhear-se do pulsar da sociedade e daquilo que os cidadãos pensam daqueles que os governam".
Cavaco Silva sublinhou que, já em 2004, os portugueses se contavam entre os europeus e os cidadãos de países desenvolvidos com pior avaliação do funcionamento da democracia, e que de 2004 para cá, a "insatisfação e o pessimismo" cresceram de forma sensível.
Do ponto de vista do chamado "interesse pela política", os resultados demonstram um "baixíssimo interesse dos inquiridos entre os 15 e os 17 anos".
O documento revela que os cidadãos em geral mostram maiores níveis de interesse pela política a nível local do que a nível nacional e internacional.
De acordo com o Chefe de Estado, foram colocadas aos inquiridos três perguntas muito simples: qual o número de Estados da União Europeia, quem foi o primeiro Presidente eleito após o 25 de Abril e se o Partido Socialista dispunha ou não de uma maioria absoluta no Parlamento.
O Presidente da República mostrou-se chocado porque metade dos jovens entre os 15 e os 17 anos e um terço dos jovens entre os 18 e os 29 anos não foi sequer capaz de responder correctamente a uma única das três perguntas colocadas.
"No dia em que comemoramos solenemente o 34º aniversário do 25 de Abril, numa cerimónia todos os anos repetida, somos obrigados a pensar se foi este o futuro que sonhámos", sublinhou Cavaco Silva.
O Presidente disse ser "natural, saudável" que os cidadãos e os jovens tenham centros de interesse para além da vida política, mas afirma que tal significa que têm a democracia como um dado adquirido, que interiorizaram o facto de viverem num regime democrático e agora dedicam a sua atenção a outras realidades.
Cavaco Silva disse aos deputados que "o nível de informação dos jovens relativamente à política é de tal forma baixo que ultrapassa os limites daquilo que é natural e salutar numa democracia amadurecida".
"O alheamento da juventude não pode deixar de nos preocupar a todos, a começar pelos agentes políticos", alertou o Presidente, sublinhando: "A começar por vós, senhores deputados".
Para o Chefe de Estado, se os jovens não se interessam pela política é porque a política não é capaz de motivar o interesse dos jovens.
"Interrogo-me que efeitos daqui resultarão para o Governo de Portugal num futuro não muito distante", questionou.
O Presidente alertou ainda os deputados para a necessidade de se procurar fazer uma "política de proximidade" relativamente aos Portugueses.
Cavaco foi claro ao declarar que os partidos políticos "possuem responsabilidades muito claras no combate ao alheamento" dos jovens pela vida pública, no fundo, no combate à indiferença que muitos jovens têm pelo futuro do seu País.
Para o Chefe de Estado, isso deve-se, em boa medida, ao facto de não ter havido o necessário esforço para a credibilização da vida política que "não dispensa algo de muito simples que é ouvir o povo e falar-lhe com verdade".
"Vender ilusões não é, seguramente, a melhor forma de fortalecer o imprescindível clima de confiança que deve existir entre os cidadãos e a classe política", reiterou.
Por outro lado, o Presidente denunciou um "certo autismo de alguma classe política", levando-a a conhecer melhor a realidade do País.
Cavaco Silva disse que o "impressiona" que muitos jovens não saibam sequer o que foi o 25 de Abril, nem o que significou para Portugal e que, quando interrogados sobre o que sucedeu em 25 de Abril de 1974, muitos produzam afirmações que "surpreendem pela ignorância" de quem foram os principais protagonistas, pelo total alheamento relativamente ao que era viver num regime autoritário.

Agência Lusa/

Ideias


Thomas B. Bottomore explica-nos que a palavra elite foi usada durante o século XVIII aplicada aos produtos de qualidade excepcional e só mais tarde a palavra indicava grupos sociais “superiores” ( unidades militares de primeira linha ou os elementos mais altos da nobreza ). Gaetano Mosca, com a apresentação d´A Teoria das Elites, uma doutrina da classe política, foi o primeiro grande teórico da teoria das elites. Juntaram-se-lhe Vilfredo Pareto - com a teoria da "circulação das elites", alternativa teórica ao conceito de classe dominante de Karl Marx - e Robert Michels - com a concepção da "lei de ferro da oligarquia". Antonio Gramsci propõe o entendimento do intelectual orgânico, um intelectual político, construtor da classe dominante, para chegar ao conceito de elite. Neste conceito, a ideia de formar uma opinião pública é substituída pela ideia de construção ideológica, entendida como a direcção política num dado momento histórico. Charles Wright Mills propõe entender a elite como um grupo situado numa posição hierárquica superior numa dada organização e com o poder de decisão política e económica. Robert Dahl aceita a expressão como definidora de um grupo minoritário que exerça uma dominação política sobre a maioria dentro de um sistema de poder democrático – é a elite como grupo localizado numa camada hierárquica superior numa dada estratificação social.

Plano interpretativo


Para uma definição de elite. Degenerescência do conceito.
Elitismo e antielitismo; luta de classes, classe dominante, estratificação social, clero, nobreza, povo e... cidadão
A Elite na História – proto-História, invenção da escrita, morte da moral, individualismo e hedonismo.
As Três Culturas ( de influência sobre o Ocidente ): muçulmana, judaíca e cristã.
Elite na Antiguidade Clássica, na Idade Média, na Idade Moderna, na Idade Contemporânea
Elite Institucional
Elite Cultural
Elite Política
Elite Económica
Elite Mental
Elite Ideológica
Elite Social
Protagonitas de Elite
Estudos de caso
O Universo Universitário como gerador e intérprete de Elite
Conclusões



ESTUDO DE ELITE - objectivos


Subsídios para a construção de um conceito de influência – uma metodologia operatória para o entendimento da contemporaneidade

Fará sentido interpretar um novo conceito de Elite no século XXI, entendê-lo aplicável às democracias ocidentais e oposto ao velho conceito das classes dominantes de Marx, ou, de um modo muito mais simples, aceitar que os protagonistas da História são sempre aqueles que se distinguem do grupo - e isso é elite em vasto modo - ? O Liberalismo fez a apologia da autonomia moral e económica da sociedade civil em oposição à concentração do poder político, aparentemente opondo à concentração de elite uma alternativa mais massificada. Gerou novas elites, mesmo assim. Individualismo metodológico e jurídico, propriedade privada, governo limitado, ordem espontânea, estado de direito, e livre mercado não democratizaram, antes permitiram emergências elitistas dentro do espaço de todos.
Nos dias de hoje, a palavra associa-se tanto a quem lidera como a quem influencia: grupos de pressão e formadores isolados de opinião. Ideia que é muito criticada pela esquerda política ao entedê-la, de forma redutora, como a classe social de maior poder económico.


Estudo de Elite

Textos de apoio ao Gabinete Estudo de Elite - área coordenada de investigação

Visite o link http://www.iecc-pma.eu/areas.asp?id=14.com